A girela-comum (Coris julis), pequeno peixe com faixas coloridas, faz parte tão integrante da paisagem durante nossos mergulhos que muitas vezes esquecemos de mencionar sua observação. No entanto, mesmo para coisas comuns, não é raro descobrir particularidades desconhecidas!

1 – A vida em cores: chamada em inglês de « rainbow wrasse », possui o corpo alongado, afilado, de 15 a 25 cm de comprimento. A girela é reconhecível pelas faixas coloridas vermelhas que separam as faixas brancas horizontais em seu corpo. As fêmeas são mais « opacas » (para não chamar a atenção e não serem comidas), enquanto os machos se ornamentam com cores mais vivas (para chamar a atenção): as « girelas reais »! Atenção, a « girela-pavão » ou « girela-turca », com suas manchas azuladas, faixas amarelas e verdes brilhantes e verticais, costuma viver em grupos de girelas-comuns.2 – Comum, mas não tão visível: a girela-comum está presente em número, mas um indivíduo é difícil de observar. De fato, uma girela pode nos circundar (por curiosidade marcada, mas sobretudo para aproveitar o que movemos) e depois parecer imóvel e fugir rapidamente ao menor olhar. Muitas girelas são apenas rapidamente vislumbradas, e não podemos então reconhecer mais do que uma forma geral sem distinguir pontos particulares. É por isso que muitos peixes alongados de cerca de vinte centímetros são chamados de « girelas »…3 – Invisível até: se você realizou mergulhos noturnos e/ou mergulhos de inverno, a paisagem muda imensamente justamente pela ausência de girelas. Mas onde elas estão? Sob a areia! A girela cava a areia com movimentos de sua cauda, faz um belo buraco e se esconde dentro, sem se mover. Um bom meio de dormir tranquilamente à noite fora de vista e se disfarçar quando um predador está à vista. Também é bastante isolante para o inverno!4 – Elas estão por todo lado: a girela vive nas costas do Mediterrâneo, mas também é observável às vezes na Bretanha, e até mais ao norte, até a Escócia ou ao sul, ao longo das costas das ilhas de Cabo Verde, das ilhas Canárias e Açores. A girela não é confinada a um tipo de habitat e vive em fundos rochosos, arenosos e prados litorâneos (especialmente os jovens, protegidos nos campos de posidônia), entre 0 e 120 metros de profundidade, seja perto dos portos ou em parques protegidos. Mergulhe ao longo da costa, certamente os verá.5 – À mesa! : ela se alimenta de pedaços de ouriços, pequenos camarões e outros crustáceos, vermes marinhos e moluscos como gíbulos, nassários, natíceas etc. assim como mexilhões ou outros bivalves. Ela se revela um grande predador oportunista, com seus grandes dentes. É uma das particularidades do seu gênero (Labridae), pois os labrídios têm lábios carnudos (labrum em latim) bastante aparentes, frequentemente revelando sua dentição.6 – Falemos de reprodução: de abril a setembro, os machos tornam-se realmente brilhantes e procuram se reproduzir a todo custo. As fêmeas depositam seus ovos não fertilizados quando são estimuladas, e o macho dominante (ou às vezes os oportunistas…) os cobrem com sua semente em reprodução externa. Os ovos são deixados a flutuar e servem de alimento para a maioria, mas os sobreviventes sortudos amadurecem após um ano. Como muitas espécies, a girela muda de sexo uma vez durante sua vida. Passa de fêmea a macho (protoginia).7 – Harém: as girelas vivem em pequenos grupos… Mas bastante restritivos. Um macho, muito dominante, guarda um « harém » de fêmeas. Há poucos outros « jovens machos oportunistas » por perto, não porque sejam repelidos, mas principalmente porque o macho emite sinais bloqueando a passagem das fêmeas para o sexo masculino. Quando o macho morre, sem sinais inibidores, a fêmea mais velha do grupo começa sua transformação em macho.8 – Cansado(a): não se trata aqui apenas de uma mudança de cor, mas os órgãos internos também precisam se modificar e isso requer energia. Durante várias semanas, a girela « em transformação » está tão fraca que se move pouco, tão pouco que poderia ser comida, e, portanto, se esconde ao máximo antes de reaparecer com uma nova vestimenta.9 – Maria Girela: no norte da França, perto de Dunquerque, uma sereia-bruxa devoradora de crianças era assim chamada nas histórias populares. Ao se aproximar muito da água dos pântanos, corria-se o risco de ser devorado… Mas qual é a relação com as girelas marinhas então? Quem sabe… Talvez não devamos nos aproximar muito para perguntar…10 – Diversidade e confusão: muitas espécies são chamadas de « girelas » em todo o mundo. A forma geral é semelhante, e seus hábitos são muitas vezes os mesmos devido às suas origens comuns. Não devemos confundir Coris julis com a « girela » da ilha Maurício Halichoeres hortulanus, nem com o gênero latino Girella do Pacífico (família dos Kyphosidae). Em contrapartida, as girelas reais e as girelas comuns representam uma única e mesma espécie, chamada de muitas formas no sul da França: damas, jouriol, julie…
Jérémy Delille
https://vimeo.com/486031279.
