A formação de instrutor de mergulho profissional passou por inúmeras transformações ao longo dos últimos 60 anos, e a evolução continua. Vamos explorar juntos as etapas-chave dessa mudança.
1974: A Era dos BEES em Três Graus
Em 1974, a instauração das certificações de Estado de educador esportivo (BEES) em três graus marca uma reviravolta. A obtenção dessa certificação torna-se obrigatória para ensinar. Cada grau requer dois exames: um tronco comum e um específico. Os candidatos frequentemente se preparam sozinhos, focando seus esforços na aprovação dos testes em vez de na preparação para a profissão em si. A obtenção dos três graus pode ser feita de forma sequencial.
Os Anos 80: O Surgimento das Formações Curtas
Entre 1980 e 1990, os organismos responsáveis pelos exames BEES oferecem formações intensivas de quinze dias. Dois formatos emergem: uma formação concentrada pouco antes do exame específico, privilegiando a memorização, ou uma semana inicial seguida de outra pouco antes do exame, incentivando a experimentação entre as duas. Assistimos aos primórdios do estágio em empresa.

Os Anos 90: Formatos de Formação Mais Longos
A partir de 1986, centros oferecem formações « específicas » em mergulho, totalizando 400 a 500 horas, integrando às vezes o 2º estágio (o antecessor do nível 4), complementadas pelas 170 horas do tronco comum. Os BEES permanecem acessíveis via um exame pontual, deixando aos estagiários a escolha dessas formações mais longas. Soluções de financiamento surgem rapidamente, incentivando as pessoas elegíveis a se beneficiarem.
1996: O BEES 1 Modular
Em 1996, o Estado, baseando-se na experiência das formações longas, torna obrigatória uma formação modular específica em mergulho de 480 horas, incluindo 5 UF (unidades de formação) e um estágio de 100 horas em um centro de mergulho. É o nascimento da formação em alternância. O acesso direto ao exame pontual é removido. As UFs focam nas competências principais da profissão de instrutor. A partir de 2005, pontes para instrutores federais e formações adicionais para instrutores do RSTC (PADI, NAUI…) são implementadas. Organismos privados são habilitados pelo Estado para organizar essas formações profissionais.
2003: O Conceito de Ambiente Específico
Após a exceção esportiva europeia concedida ao mergulho em 2000, o Estado cria em 2002 o conceito de « atividades exercidas em ambiente específico », incluindo o mergulho em uma lista de 10 atividades. Apenas uma formação do Ministério dos Esportes é agora válida. Em 2003, nove CREPS são habilitados para formar profissionais de mergulho na França e nos DROM-COM. Os organismos de financiamento da formação profissional se envolvem mais. A lista de CREPS habilitados é reduzida a cinco em 2017: Bordeaux, Montpellier, PACA, Antilhas-Guiana e Reunião, renovada em 2022.
2012: A Grande Reforma dos Diplomas
Nos anos 2010, os BEES em três graus são substituídos pelo BPJEPS (brevet profissional da juventude, da educação popular e do esporte), DEJEPS (diploma de Estado JEPS) e DESJEPS (diploma de Estado superior JEPS). Esta reforma introduz o acesso direto a cada diploma, elimina o tronco comum, transforma as UF em UC (unidades capitalizáveis) e sistematiza a alternância entre OF (organismos de formação) e empresa (700 h mínimas em OF e 500 h mínimas em empresa para um DEJEPS, por exemplo). As notas desaparecem em favor do « validado » ou « não-validado », com recuperação. A profissionalização das formações é reforçada, focada nas competências da profissão. Os BP, DE e DES em mergulho são criados em 2013, e os BEES mergulho definitivamente suprimidos (os titulares mantêm suas prerrogativas). A formação por aprendizagem ganha importância, colocando a empresa no centro do dispositivo.
2017: Um Ajuste das Formações
Este ano marca a segunda etapa da reforma, com evoluções nos diplomas profissionais de mergulho. O BP JEPS passa de 10 para 4 UC e se divide em duas opções: « sem escafandro » e « com escafandro », aumentando suas prerrogativas. O DEJEPS de 2012 (E4) é dividido em um DEJEPS com prerrogativas reduzidas (E3) e um certificado complementar (CC) « mergulho profundo e tutoria » para se tornar E4. Uma reciclagem obrigatória a cada 5 anos é instituída para os novos diplomas e os antigos, incluindo os BEES. Os financiadores tradicionais (Região, Pôle emploi, OPCA…) cedem lugar à aprendizagem, ao CPF (conta pessoal de formação) e aos dispositivos especiais (Sésame, Parcoursup, Transição Pro…).
2022: Novas Mudanças no Horizonte
Por razões de re-registro dos diplomas profissionais no RNCP (Registro Nacional de Certificações Profissionais) ou no RS (Registro Específico) e no contexto da reforma da formação profissional, os diplomas atuais estão em plena reescrita, com novas modificações esperadas para 2023!
Este artigo, originalmente escrito por Alain Delmas para a edição impressa da PLONGEZ!, foi adaptado para a web.