Recife de Tubbataha: jóia isolada sob alta proteção

Local privilegiado para a vida marinha, classificado como patrimônio mundial da UNESCO, o recife de Tubbataha, nas Filipinas, é um santuário de biodiversidade excepcional. Foi destacado recentemente pelo museu oceanográfico de Mônaco por meio de uma exposição fotográfica e um documentário. David Doubilet, fotógrafo americano icônico da National Geographic – cujas fotos estão expostas no […]

Local privilegiado para a vida marinha, classificado como patrimônio mundial da UNESCO, o recife de Tubbataha, nas Filipinas, é um santuário de biodiversidade excepcional. Foi destacado recentemente pelo museu oceanográfico de Mônaco por meio de uma exposição fotográfica e um documentário. David Doubilet, fotógrafo americano icônico da National Geographic – cujas fotos estão expostas no museu – se encantou com este pequeno pedaço do paraíso. Mergulhe! o encontrou:

 

  S.A.S. Príncipe Albert II de Mônaco e David Doubilet durante a noite de exibição do filme Coral, coração do oceano ©M_Dagnino - Museu oceanográfico de Mônaco
O Príncipe Albert II de Mônaco e David Doubilet durante a noite de exibição do filme « Coral, coração do oceano » © M.Dagnino – Museu oceanográfico de Mônaco

O que torna o recife de Tubbataha especial?Localizado no meio do mar de Sulu, o recife de Tubbataha se beneficia diretamente de enormes correntes que trazem grandes quantidades de plâncton: nesse plâncton encontramos larvas, ovos, tudo que entra na cadeia alimentar e, portanto, tudo que atrai muitos peixes. O recife em si é isolado, difícil de alcançar para o homem, um verdadeiro diamante bruto.Por que é um paraíso para os mergulhadores?Há paredões profundos, o recife é extremamente rico, os campos de gorgônias são imensos, provavelmente os mais belos do mundo e a água é geralmente muito clara. Há estações de limpeza, corais saudáveis, é uma experiência intensamente bela para um mergulhador e é uma área onde a vida é muito concentrada. Cada mergulho é um momento precioso.Como fotógrafo, o que você busca neste lugar excepcional?É preciso se posicionar no lado da abertura do recife… então um desfile surpresa passa diante dos nossos olhos: vemos as raias jasmim, um tubarão-baleia, depois outro tubarão-baleia, depois um atum de 100 kg, depois outro atum de 100 kg, depois uma raia manta, depois um enorme cardume de barracudas, depois um grande cardume desses maravilhosos platax que, quando se movem na água escura das profundezas, capturam os leves raios de sol e os refletem como moedas de ouro… Para um fotógrafo, é um lugar absolutamente fabuloso. Há tanta vida em toda parte que você não sabe onde se posicionar, ou se segurar e onde colocar sua câmera.Nas outras regiões das Filipinas, os fundos são semelhantes ao recife de Tubbataha?Tubbataha é apenas um lugar extraordinário entre muitos outros nas Filipinas, cada cantinho deste país é diferente, cada região é única: há 7000 ilhas, locais onde se veem enguias de jardim, outros onde se pode ver tubarões-raposa, se podem ver enormes cardumes de peixes, recifes… Realmente é um país extraordinário para um fotógrafo, um mergulhador. Mas não são apenas os animais e os recifes que são interessantes, mas como 120 milhões de pessoas têm que cuidar de preservar o coral mais rico do mundo! Eles têm sob sua responsabilidade uma biodiversidade única, acredito que não há outro lugar como este no mundo.

As tartarugas, os tubarões, mas também as aves encontraram em Tubbataha seu habitat ideal - Exposição Tubbataha ©David Doubilet
Descanso antes do voo – Exposição Tubbataha © David Doubilet (assim como a imagem no topo desta página).

Como você chegou a Tubbataha?Tive a sorte de ir lá duas vezes, com Marissa Floirendo, uma brilhante cinematrográfa submarina e Maria-Teresa Lara, também conhecida como « Tet », uma fotógrafa incrivelmente dedicada ao seu trabalho, com um olhar claro, limpo e único. Nós nos conhecemos na Antártica onde eu estava preparando um tema para a National Geographic, elas me convidaram para vir às Filipinas para que eu descobrisse seu paraíso. Elas dedicaram um livro a este lugar mágico  » Tubbataha: a national treasure  » e me pediram para escrever o prefácio, foi uma honra, adorei escrever esse texto. Desde então nos tornamos ótimos amigos: o mergulho, não importa onde ele nos leve no mundo, cria laços de amizade tão magníficos e profundos quanto o oceano.

Um local único a proteger

Para preservar este site das ameaças ecológicas e ambientais, foram tomadas medidas de proteção. O parque natural de Tubbataha abriga 72% das espécies de corais presentes nos oceanos do planeta. Trata-se da maior área marinha protegida do país, um santuário onde tartarugas marinhas, tubarões e aves encontram refúgio. A pesca é proibida e os guardiões do parque comunicam-se com os locais assim como com os turistas para sensibilizá-los.
Em 2016, o instituto oceanográfico de Mônaco lançou uma expedição nas águas de Tubbataha, na qual o príncipe Albert II de Mônaco participou ativamente. Os membros da expedição puderam constatar a fragilidade dessa joia isolada que, apesar de tudo, é confrontada com o encalhe de muitos resíduos trazidos pelo oceano para suas praias e nas águas límpidas da área marinha protegida. Esta expedição tinha dois principais objetivos:
– Colocar balizas em duas tartarugas para conhecer seus deslocamentos ao longo do ano e seus hábitos, a fim de ajudar na sua proteção. Uma parceria que se insere no longo prazo entre o instituto e o parque de Tubbataha.
– Realizar vídeos em 360° dos fundos marinhos para apresentá-los às populações locais para lhes mostrar a riqueza dos corais dos quais são depositários.

 

Um filme-documentário inédito

Desta expedição resulta um documentário, Coral, coração do oceano, traçando a aventura do príncipe e da equipe do instituto oceanográfico. Exibido pela primeira vez em 27 de junho passado em Mônaco, ele será apresentado ao público durante todo o verão a partir de 8 de julho no interior do museu oceanográfico.
Fotos imensas realizadas em Tubbataha por David Doubilet, sua companheira Jennifer Hayes e Maria-Teresa Lara são expostas nas paredes da sala de projeção.

Margot Harty

 

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